FORTE 2008, da FEBRATEL, vai discutir "liderança empresarial do Brasil e os BRICS"
A FEBRATEL – Federação Brasileira de Telecomunicações – promove no dia 18 de agosto próximo, no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, a edição 2008 do FORTE – Fórum de Relações do Trabalho em Telecomunicações. A sigla BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China – traduz o coletivo de países emergentes que disputam lugar no privilegiado clube do Primeiro Mundo. A liderança empresarial, sua formação e a dinâmica política são importantes fatores nessa disputa. O evento da FEBRATEL é gratuito.
Fiel à denominação de fórum, o FORTE 2008 – a quarta edição do evento anual – conta com um time seleto de palestrantes e debatedores já confirmados, cujos currículos diversificados são a garantia de um evento dinâmico e participativo. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas via Internet em forte2008@febratel.org.br. As vagas obedecerão a ordem de inscrição. O Grand Hyatt fica na Av. das Nações Unidas, nº 13/301, na capital Paulista, e o credenciamento se inicia às 8h.
O evento, de um dia pleno, está estruturado em torno de dois grandes Painéis de Debates. A parte da manhã será dedicada à formação das lideranças empresariais que o País precisa para competir na arena internacional dos BRICS. Será analisada a formação universitária no Brasil sob a ótica da entrega do formando às empresas; como elas treinam e reciclam seus talentos; que tipo de lideranças empresariais são necessárias; e como podem ser formadas.
A parte da tarde se iniciará com duas apresentações no mundo das idéias. José Nivaldo Cordeiro tratará da obra do pensador espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Já Martins Vasques da Cunha falará sobre o pensamento de Eric Voegelin (1901-1985), cientista político e sociólogo alemão que ficou exilado nos EUA na época do nazismo. Seguir-se-ão debates sobre a importância prática da compreensão desses princípios, em perspectiva histórica, para a ação das lideranças empresariais no Brasil, dentro do novo contexto internacional dos BRICS.
Palestrantes e debatedores
Cicero Domingos Penha, diretor da FEBRATEL, é bacharel em Direito pela UFU (MG), com extensão pela State University (NY). Diretor Corporativo de Talentos Humanos do Grupo Algar.
Gustavo Leipnitz Ene é empresário, sócio e diretor da LIDE Sul (grupo de líderes empresariais do Sul). Diretor da Federasul (comércio e serviços do RS).
João Lins é sócio da PriceWaterHous&Coopers na área de RH, organização e planejamento empresarial. Mestre em Administração pela Eaesp da FGV/SP, onde leciona.
José Nivaldo Cordeiro é mestre e administrador de empresas pela FGV/SP. Articulista, defende que o papel do Estado deve se cingir à manutenção da ordem pública.
Magnus Ribas Apostólico é superintendente de Relações do Trabalho e coordenador da Comissão de Negociações da Fenaban – Federação Nacional dos Bancos.
Marcelo Marques é engenheiro pelo Inatel – Instituto Nacional de Telecomunicações –, com pós-graduação pela Unicamp. É diretor do Inatel Competence Center.
Martins Vasques da Cunha é jornalista e escritor. Coordena o Departamento de Humanidades do Instituto Internacionais de Ciências Sociais.
Odemiro Fonseca é administrador pela FGV/SP e MBA pela Wharton School. É co-fundador do Viena Rio Restaurantes. Ex-presidente do Instituto Liberal de Análise de Políticas Públicas.
Sílvio Genesini é presidente da Oracle do Brasil. Trinta e dois anos na área de Tecnologia da Informação. É engenheiro de Produção pela USP.
Ubiratan Iorio é doutor em Economia pela FGV. Preside o Cieep – Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista. Dirige a Iorio Treinamento e Consultoria.
Os BRICS
Em palestra no Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro, durante a XII Conferencia Internacional sobre Schumpeter (defensor da inovação), o diretor de Planejamento do BNDES João Carlos Ferraz afirmou que o Brasil – é o "B" do BRIC (os outros são Rússia, Índia, China) – é um "BRIC Lento".
Os BRICS têm a vantagem de serem países grandes, com mercados internos importantes. Ao crescerem, é preciso cuidar se empregos estão sendo gerados e se a renda está sendo desconcentrada. O desenvolvimento neles se dá por ilhas e nichos isolados. É preciso uni-los para que surja um arquipélago. Confiança nas instituições, espírito empresarial e investimentos continuados são necessários. Medidas para saúde e educação são de longo prazo e podem levar até 25 anos para produzirem efeito. Estado e mercado devem operar, juntos, em defesa do interesse nacional.
No caso do Brasil, ocorreu por mais de 25 anos um período de incerteza da economia, mas isto pode estar se revertendo. De 1984 a 1993, o PIB médio brasileiro cresceu apenas 2,4%; de 1994 a 2003, a média caiu ainda mais para 2,7%; e de 2004 a 2007 melhorou para 4,5%. Em termos de produtividade e tomando como índice o crescimento do PIB por trabalhador, de 1990 a 2003, a produtividade da China cresceu três vezes; a da Índia, 1,5 vez; enquanto a do Brasil ficou estagnada e a da Rússia caiu.
Dados mostram que o Brasil investe 0,98% do PIB em atividade de P&D; a Rússia, 1,28%; a Índia, 0,85%; e a China, 1,31%. No tocante ao uso de computadores, Internet e em gastos para TICs, o Brasil vai bem obrigado se comparado com os demais BRICS. A boa notícia é que, desde 2004, a expansão do investimento no País é de 16%, equivalente a 2,5 vezes o crescimento do PIB e deverá continuar em aceleração até 2010, quando poderá chegar a 21%.
Na ação do Governo, para o período de 2007 a 2010, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê um investimento de US$ 260 bilhões voltados para infra-estrutura; a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) voltada para a indústria, US$ 150 bilhões; e o Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (PACTI), US$ 24 bilhões.
O Brasil é um "BRIC lento" por várias razões. O mercado doméstico está abaixo de seu potencial. Há pobreza crônica com desigualdade de renda e com baixo poder aquisitivo da população. A estrutura produtiva e de comércio exterior é voltada para recursos naturais e não para produtos de mais conteúdo tecnológico que geram mais renda. O Brasil tem uma economia cada vez mais complexa. Seus problemas econômicos são circunstanciais, mas problemas sociais e de poder aquisitivo são estruturais. Daí a importância de programas sociais, educacionais e de políticas industriais favorecendo a inovação tecnológica para se alavancar resultados a longo prazo.
Uma descrição do "B" dos BRICS
Ao descrever o "B" dos BRICS, o economista João Carlos Ferraz disse tratar-se de uma democracia consolidada, porém ainda contaminada por interesses menores. Há uma burocracia estatal estabelecida e organizada. Ela requer, todavia, uma reorganização em sua capacitação para emitir políticas públicas. Quanto à política econômica, ainda prevalece o estilo de gerenciamento "macroeconômico". Sobre o mercado nacional, ele é grande, geograficamente disperso e desigual. O perfil da renda mostra um país desigual
Existe um forte sentimento do "pertencer nacional". O ambiente cultural do País é rico e diversificado. Os recursos naturais são vastos e suas fronteiras ainda estão em expansão. A infra-estrutura básica existe, no entanto não será suficiente para uma economia dotada de desenvolvimento sustentado. Há um mercado de capitais desenvolvido, mas com tendência a preferir títulos públicos.
A comunidade de negócios é dinâmica e quer fazer business. Surgem os pequenos e médios empreendedores dotados de entusiasmo. Os grupos locais, todavia, estão nos setores de menor dinamismo econômico. O sistema produtivo do País é complexo, mas se ressente ainda da falta de investimentos.
O encerramento do FORTE 2008 será efetuado pelo presidente da FEBRATEL – Federação Brasileira de Telecomunicações –, Luiz Alberto Garcia.
