Fórum de Relações do Trabalho, da FEBRATEL, debate o complexo tema da liderança – II

Por João Carlos Fonseca - 25 de agosto de 2008
Foto da mesa de debate, sessão da tarde

O Fórum de Relações do Trabalho em Telecomunicações – Forte 2008 –, evento anual da Federação Brasileira de Telecomunicações – FEBRATEL – debateu, em 18 de agosto último, no Hotel Grand Hyatt, situado junto à nova e espetacular ponte estaiada da paulicéia, símbolo de liderança no business, o tema "Liderança Empresarial para o Brasil no Contexto dos BRICS". O roteiro técnico ficou a cargo do Instituto Internacional de Ciências Sociais – iiCS –, que atua em pós-graduação lato sensu –; e do Instituto ProGescal de Consultoria. O encontro foi fértil em debates. Aqui a continuação da matéria I.

O Forte 2008 contou com uma centena de participantes, incluindo diretores da FEBRATEL, dos sete sindicatos a ela filiados e de representantes do mundo empresarial e dos talentos humanos. O evento, centrado em dois painéis, foi fértil em seus debates, inclusive com a participação da platéia, mostrando a fecundidade de idéias gerada por uma variada participação.

Com abarcante liberdade de expressão e justificando o nome de fórum, uma variedade de tópicos foi abordada durante o evento, incluindo desde os mais teóricos – e até filosóficos – aos mais práticos e concretos. Foram trabalhados o sistema produtivo, a conjuntura e a governança para que o Brasil lidere, ou pelo menos brilhe, no contexto de Rússia, Índia, China e South Africa. Ou seja, dos países emergentes formadores do acrônimo BRICS. Não se esconderam os temas polêmicos e os dizeres contundentes.

Mais tópicos para refletir

O evento Forte 2008 foi rico em pronunciamentos, observações, críticas e debates. Reunimos alguns deles sob forma de tópicos, independentemente de cronologia e de quem os citou. Conceitos podem até ser conflitantes. São tópicos, classificados em ordem alfabética, para ler e pensar. É um serviço prestado à comunidade de leitores. Os tópicos não representam necessariamente o ponto de vista institucional da FEBRATEL e são apenas opiniões expressas num fórum aberto, sem prévia censura.

Sobre Estado. A regulação do trabalho pelo Estado, aqui, é excessiva. Ocorre o fenômeno de uma arrecadação tributária cada vez maior que não é devolvida proporcionalmente por mais e melhores serviços que o Estado deve à população.

Trinta e dois por cento do PIB que o Governo arrecada não retornam para a Sociedade. O Leviatã virou um fim em si mesmo.

Governar é manter a ordem para que a sociedade possa se desenvolver. O nosso Governo está atuando como se fosse uma empresa e não deveria interferir na escolha das pessoas nas estatais.

O mundo é uma construção da mente humana. As crenças são a chave do comportamento humano e dominam o sistema político. Dizia Keynes que quando se misturam paixões é imprevisível o que vai acontecer.

O Estado é necessário. Instituições podem ser reformadas. A realidade nos empurra. A Nova Zelândia inventou a meta de inflação e os EUA, a alíquota única. O Estado utiliza a tecnologia da informação (TI) muito mais para seu benefício próprio do que para o da população. Lei nenhuma consegue proteger o cidadão da voracidade do Estado.

Sobre Legislação Trabalhista. São cerca de 240 projetos de Lei Trabalhistas tramitando no Congresso. A Convenção 159, da Organização Internacional do Trabalho – OIT –, que veda a dispensa arbitrária do trabalhador, sofreu derrota na Comissão de Relações Exteriores.

Exigência de experiência para admissão agora está limitada a seis meses pela Lei 11644/08. Para atuar no Judiciário, é preciso, porém, ter experiência de vida. Existe vida fora dos códigos. Pesquisa indica que, quando há o vácuo dos códigos, 80% irão julgar pelas ideologias.

Hoje, discute-se a regulamentação da terceirização. O INSS move ações regressivas contras as empresas. O Nexo Técnico Epidemiológico é utilizado indevidamente. A redução da jornada de trabalho está na contramão de outros países.

O Brasil é campeão mundial com 2,5 milhões/ano de ações trabalhistas. O segundo colocado só tem 75 mil. Otto Von Bismarck disse que "se os homens soubessem como são feitas as leis e as salsichas, eles não dormiriam à noite". O empregado pratica no Brasil a indústria do Dano Moral, com o empresário caindo no mecanismo decisório da "loteria jurídica".

Sobre liderança–I. O líder precisa ter gosto pela competição. Ser líder é tomar riscos. O líder é um descobridor de oportunidades. Sabe cultivar relações e voltar atrás se errou. O empresário pode aprender com tentativa e erro, o Governo não.

A competição produz ganhadores e perdedores. O líder precisa saber administrar os que perdem. No Brasil, empresário que perde é criticado, nos EUA é elogiado porque arriscou.

Existe o líder técnico, moral e social. O conhecimento por si só não é suficiente para ser líder. É preciso ter habilidade e atitude. A sociedade no Brasil é bastante hierárquica e isto é valorizado na organização das empresas. Vale no Brasil o simbólico. Ter título é fundamental.

Hierarquia, competência e responsabilidade nem sempre estão juntas. Grupos de trabalho podem ser mandados por um sargento (nada contra eles) ou por um articulador, isto depende de cada situação.

Sobre liderança–II. Terá sido Hitler um líder? Eric Voegelin (1901-1945), professor não judeu e não socialista austríaco falecido nos EUA, criticou as raízes ideológicas e raciais do governo nazista.

Ideologias podem derrubar governos. A ideologia nazista distorceu a realidade. O líder é o reflexo da sociedade que ele governa. O homem-massa é o seguidor do rebanho.

Hitler não conquistou as massas. Apenas as representou. A política é um jogo e Hilter jogou e perdeu. Como tática deliberada, ele nunca revelou a seus próximos o plano todo. O estulto é aquele que não atende à razão e age criando a sua própria realidade. Muitos resistiram a Hitler. Depois da II Guerra Mundial, ocorreu a desnazificação como manifestação coletiva de arrependimento e não individual de culpa

Sobre liderança–III. Ortega y Gasset (1883-1955) foi um pensador espanhol com estudos de filosofia na Alemanha. Dentre seus ensaios, a Rebelião das Massas, saiu seis antes da Guerra Civil espanhola, um embate entre esquerda e direita com a vitória do general Francisco Franco.

Nos conceitos de Ortega y Gasset, a ideologia pode ser uma falsificação, criando uma segunda realidade; o homem-massa é de uma homogeneidade perigosa, moldada pelas ideologias, aberta ao internacionalismo, à demagogia e ao ateísmo; e o garoto mimado é o que se comporta como o herdeiro único das vantagens da civilização.

Ainda segundo Ortega y Gasset, a divisão da sociedade não é entre classes sociais e sim entre massa e uma minoria excelente. O homem nobre equivale ao homem esforçado ou excelente. O Estado intervencionista é um perigo por anular a espontaneidade social. O liberalismo é o respeito às minorias e às leis.

Sobre mídia e religião. A liberdade de expressão é um valor fundamental. A mídia tem dependência do Poder Público e se procura amordaçá-la. Há censura velada à pluralidade do pensamento. Estimula-se a luta de classes. Cria-se uma TV estatal e procura-se dominar a indústria do conteúdo.

Surge o Estado laico, amoral. A Teologia da Libertação, de influência marxista, se explicita. O povo continua ignorante porque a única linguagem que o político entende é a do voto. Voto consciente continua sendo muito mais uma expressão retórica do que a realidade.

Sobre talentos humanos em falta. Na área da tecnologia da informação são 160 mil vagas não preenchidas. A ausência de pessoal habilitado é a maior preocupação para 70% dos executivos, revela uma pesquisa.

O aluno chega nas empresas analfabeto para o trabalho. Ignora como funciona uma empresa. Falta-lhe senso crítico e compreensão do organograma do resultado. O significado da palavra cliente lhe é desconhecido.

Há despreparo muito grande nas relações interpesessoais. Há uma apatia para empreender. Ninguém quer correr riscos. É preciso ter profissão e ser cada vez melhor nela.

Sobre talentos humanos valorizados. Há empresas que mantêm e investem em Universidade Corporativa. O treinamento é continuado. Debatem-se os valores da empresa. Valorizam-se a autoformação, a participação na comunidade e o voluntariado social.

Na base deve haver um bom ensino e uma boa profissionalização do indivíduo, que está livre para seguir seu caminho. Conhecimento, habilidades e atitudes são as competências básicas para uma carreira profissional. É preciso nas empresas uma boa estrutura de cargos e salários. Escolas deveriam se aproximar das empresas e vice-versa. A empresa deve ir além do lucro para fazer crescer o mercado consumidor.

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