Grupo Algar, em clima de academia, comemora 10 anos de sua universidade corporativa

Por João Carlos Fonseca - 14 de outubro de 2008
Foto do autor Cicero Penha ladeado pela esposa e por Luiz Alexandre.

Em 1996, no "Algar 2100", o grupo mineiro Algar – de Alexandrino Garcia –, de Uberlândia (MG), viu um futuro com "gente servindo gente" e partiu para a educação continuada de seu pessoal. Em 22 de setembro de 1978, seu Centro de Resultados de Treinamento virava Universidade de Negócios Algar. Seguiu a trilha de gigantes como IBM, Motorola e McDonalds. Em 7 de outubro de 2008, na Granja Marileusa, em Uberlândia (MG), talk show, debates, vídeo institucional, coral com Hino Nacional, noite de autógrafos e mostra de caricaturas pontuaram 10 anos da UniAlgar. Luiz Alexandre Garcia, executivo da Algar, foi o host do encontro. A CTBC é uma associada TELEBRASIL.

Em momentos de sismos mundiais, como a grande crise financeira que abala o planeta, no black Monday, em setembro de 2008, talentos são postos à prova. Verifica-se que empresas e governos precisarão cada vez mais de pessoas com talento. Já em junho de 1996, ocorreu no Brasil o working shop "Algar 2100", destinado a mapear o futuro do tradicional grupo mineiro. Na ocasião, foi visto que a função de talentos humanos era essencial. Hoje, o grupo pode registrar, através da Universidade Algar, um milhão de horas de ensino, representando um investimento de R$ 28 milhões.

Os 10 anos da UniAlgar, a Universidade Algar, foram celebrados no espaço moderno e iluminado de seu campus de treinamento, em noite de gala, com a presença de aproximadamente 200 pessoas, alunos e ex-alunos, professores, gerentes e executivos do grupo e convidados. O evento, bem balanceado, em sua dinâmica acadêmica e empresarial, teve como tema central o talento humano – uma evolução do nome recurso humano –, o mundo do trabalho e a dimensão holística da pessoa como gente.

Abriu a cerimônia o principal executivo do grupo, Luiz Alexandre Garcia, filho de Luiz Alberto Garcia e neto de Alexandrino Garcia, que originou e donde provém o nome Algar. Dois executivos do grupo Algar, Cícero Domingos Penha, vice-presidente corporativo de Talentos Humanos; e Celso Venâncio Teixeira Machado, diretor de Comunicação e Marca, foram pontos focais do encontro. Ambos, demonstrando estar nitidamente realizados, lançaram seus livros, proferiram palestras, participaram de um debate em talk show e tiveram noite de autógrafos, com um coquetel honrando a tradicional hospitalidade mineira.

Estratégia do Grupo Algar

A crença no Brasil é o lema da Algar. "Quanto mais você sabe, mais você faz", deixou gravado em vídeo Luiz Alberto Garcia, presidente do Conselho de Administração da Algar e presidente da FEBRATEL – Federação Brasileira de Telecomunicações –, que se encontrava ausente do País. A educação é o que levará o Brasil a ser um mundo organizado.

A estratégia da UniAlgar é o da learning organization. Utiliza estudos de casos. É para executivos e não-executivos da empresa. Se vale de ensinamento presencial, mas também possui ensino à distância. O programa Connect se destina a aprofundar a cadeia de negócios da CTBC. Os resultados da estratégia são positivos.

Pesquisa mostrou as vantagens do treinamento. Num intervalo de quatro meses, o conhecimento das atendentes de call centers sobre os serviços da Algar pulou, por exemplo, de 54% para 79%. O bom resultado foi até alvo de interesse da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações.

Foi muito aplaudida a mensagem de Elizabeth Amaral, gestora da UniAlgar, que não pôde comparecer por razões de saúde. O papel fundamental na filosofia da instituição é contribuir para se criar e manter um clima empresarial saudável e participativo. Mais de 50 mil pessoas já passaram pelas aulas presenciais da UniAlgar. Talentos não faltaram ao evento, que foram desde do apresentador até o cartunista Neto, de Uberlândia, com duas excelentes caricaturas de Cícero Penha e Celso Machado.

Livro & autores

Foto do autor Celso Machado com seu doublé segurando o livro.

Cícero Penha e Celso Machado, exemplos em si do talento humano que categorizaram, lançaram livros na celebração dos 10 anos da UniAlgar. Ambos autores, tranqüilos e sorrindo. Demonstrando a placidez do dever cumprido. Os estilos dos autores são diferentes, mas o tema dos livros foi igual. Trata de pessoas e de trabalho. Um tema focado sob as vertentes da razão (Cícero) e da emoção (Celso). A receita auferida pela venda dos livros – Atitude é querer (Cícero Penha) e Quando o assunto é Gente (Celso Machado) – será doada a um hospital que trata de câncer.

"Meu livro reflete dois anos de pensamentos que foram se acumulando", disse Cícero Penha. Formado em Direito e Administração, Cícero Domingos Penha, vice-presidente corporativo de Talentos Humanos, tem cursos de aperfeiçoamento corporativo em centros de excelência, em Nova Iorque, no INSEAD na França e também na Suíça. O autor desatacou o conceito de empresa rede com foco no cliente.

Cícero Penha discorreu sobre o conceito de Atitude, título de seu livro. Para o autor, atitude é querer e poder. Atitude é uma decisão interna de cada um. Atitude é o que distingue ganhadores de perdedores. Atitude é manter a coerência entre o discurso e a ação. Desenvolver seu próprio plano de vida é importante. Que metas você quer alcançar? Que legados quer deixar? A História mostrou que todas pessoas extraordinárias – de Einstein a Madre Tereza de Calcutá – tiveram atitude.

Sobre o homem faber, o que faz e trabalha, assim se expressou o vice-presidente corporativo de Talentos Humanos do grupo Algar: "ele tem que possuir conhecimento, habilidade e atitude. O conhecimento, ele adquire na escola; a habilidade, ele desenvolve com treinamento; mas, a atitude do querer fazer, depende dos valores mentais de cada um".

Lembrou o autor de Atitude que "o foco da pessoa tem que ser na solução e não no problema. O importante é você gostar do que faz e procurar ser o melhor no que fizer. Fazer o óbvio bem feito já é uma grande diferença".

Citou Harv Eker, um ex-dono de cadeia de fitting (ginástica) e autor do best seller "Os Segredos da Mente Milionária", para quem a diferença entre a riqueza e a pobreza está na mente de cada um. Algumas dicas: "jogar para vencer e não para perder. Ser remunerado pelo resultado. Procurar uma fonte alternativa de renda. Gostar de aprender e não pensar que já sabe tudo. Procurar entender de finanças e investimento. Arriscar e aceitar desafios. Fazer as coisas acontecerem".

Mostrando sensibilidade, um Cícero Penha mais pensativo terminou sua apresentação projetando um desenho – "é um dos que mais gosto", disse –, representando uma ave, poderia ser um jaburu, engolindo um sapo. O batráquio, já com o corpo meio enfiado no bico do seu predador, segura com as mãozinhas o pescoço da ave, prevenindo assim ser comido. Ficou a imagem estóica de um dos mitos de nosso inconsciente coletivo, "o homem lutando bravamente contra seu destino, seja ele qual for".

O outro autor da noite, Celso Venâncio Teixeira Machado, de 57 anos, diretor de Comunicação e Marca do grupo Algar, é natural de Uberlândia (MG). Jornalista, iniciou no grupo em 1978. "Quando o assunto é gente" é o seu segundo livro. Antes, publicou, em 1974, "Um rosto junto à janela", um apanhado de crônicas. Foi diretor de propaganda da Algar durante 19 anos. Tem cursos na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e em Harvard.

Em sua apresentação, desfilando slides de amigos, família, empregadores e companheiros de trabalho, em que revelou a sua vida, ficou visivelmente emocionado, contagiando a platéia, ao tornar público seus valores pessoais e para com a comunidade. Celso Machado é suplente na Diretoria de Comunicação, da FEBRATEL.

Ao falar sobre seu livro, Celso disse com simplicidade que "não se considerava um escritor e sim um fotógrafo de gente com palavras". Com 40 anos de casa, se autodenomina um arquivo vivo da história do grupo Algar. Com parte da noite da celebração dos 10 anos da UniAlgar, foi passado para a platéia um excelente e seminal vídeo denominado "Gente", cujo visual a todos impactou por sua mensagem sobre o ser humano.

Conceitos que podem até surpreender

Coube a Maurício Ricardo, de 45 anos, cartunista, músico e jornalista, ex-funcionário do grupo Algar, ao qual deixou em 2001 para criar seu site talk show, estimular o debate com Celso Machado e Cícero Penha, sentados em poltronas no palco, com imagens projetadas em telões. Eis a seguir, alguns trechos que puderam ser captados:

– O ser humano é maior que seu próprio destino. Tem pessoas que dão ao trabalho a dimensão única de sua vida. É preciso ter também um projeto de vida pessoal e saber viver com a razão e com a emoção".

É preciso saber ouvir o liderado e as suas angústias. O programa Big Brother é um grande laboratório corporativo. O ser humano almeja a transcendência – o significado da vida –, além da simples riqueza.

– Hoje, a remuneração nas empresas é mais ou menos igual. O que faz a diferença para segurar os talentos na empresa é o ambiente de trabalho.

– As empresas buscam jovens. Investem tanto mais quanto perceberem que neles há atitude.

– As gerações mais novas, hoje, não têm um maior compromisso com a empresa. O trabalho não é tudo para eles.

– O desespero do desempregado não é só pelo dinheiro que deixa de receber e de que precisa. Também é por se sentir "o último dos últimos".

– Salário pode ser uma forma de escravidão e criar dependência. O trabalho foi fortalecido pela Revolução Industrial. Tem gente, hoje, que não quer mais emprego. Ganha mais, como terceirizado, sendo uma minifirma, independente.

– Em Belo Horizonte (MG), um personal care que toma conta do automóvel das madames de classe média alta – limpa, lubrifica, mantém – ganha mais que se estivesse empregado. Achou um filão e gera status a quem se utiliza seus serviços.

– O profissional precisa aprender a gerenciar o seu tempo. Precisa selecionar rapidamente o assunto a que vai dar mais ou menos atenção.

– É preciso aprender a dizer "não", o que pode ser muito difícil.

– Quando se gosta do que faz, a gente até esquece das coisas. A tecnologia, hoje, permite trabalhar em qualquer lugar.

– Você sabe que está trabalhando demais, quando o seu cônjuge reclama que você não lhe dá atenção. E sabe que ultrapassou os limites quando o cônjuge nem reclama mais (risos da platéia).

O evento despertou num crítico presente o pensamento que se o tema da atitude e de gente são elementos, realmente, muito importantes, por vezes, despertam a interrogação subjacente sobre o aparente dilema – não resolvido – da meritocracia. "Deve ser dado a cada um conforme as suas necessidades? Ou de acordo com o seu talento e esforço?"

Fez lembrar o que já observava, um obviamente cético, Niccoló Machiavelli, analisando o âmbito do início do poder mercantilista no século XVI, ao dizer que "é preciso ter vontade, mas também é preciso ter fortuna." Algo que, hoje, poderia ser traduzido por "se é preciso ter talento, também é preciso ter sorte".

Foto da alegoria de Cícero: não desanimar, jamais.Foto da Gestora da Unialgar, Elizabeth, compareceu pelo telão.

 

 

 

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