O presidente da FEBRATEL, em entrevista de fim de ano, define CONFEDERAÇÃO como a próxima meta

O presidente da Federação Brasileira de Telecomunicações – FEBRATEL –, o empresário mineiro, de Uberlândia (MG), Luiz Alberto Garcia, de 74 anos, em balanço de final de ano sobre a entidade, trata do futuro e comenta o presente. Destaca que, depois da criação dos sindicatos (SINDITELEBRASIL e SINDISAT) e da Federação (FEBRATEL), o foco será estabelecer a Confederação correspondente e contribuir para o modelo de governança do setor. Acompanhe sua entrevista.
FEBRATEL – Como o Sr. descreveria a atuação da FEBRATEL no ano que está passando?
Luiz Garcia – Acho que tivemos um ano normal. Realizamos, em São Paulo, o nosso Fórum de Relações do Trabalho em Telecomunicações – Forte 2008 – sobre o Brasil e os BRICS; e, em Brasília, apoiamos o evento "Infrações e Sanções nos Serviços Públicos Regulados", do IIEDE (Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado).
FB – Foi muito ou foi pouco?
LG – Confesso que poderíamos ter feito muito mais e, às vezes, até me arrependo. Mas, não vamos tratar do passado e sim do futuro.
FB – O futuro?
LG – Estamos trabalhando para um projeto grandioso, que é o da concentração de uma multiplicidade de entidades. Eu estou me propondo a trabalhar para termos a nossa Confederação.
FB – Confederação, então, é a próxima meta?
LG – Sim. Estou com 74 anos e coloquei como meta pessoal de trabalho chegar a essa Confederação. Me recordo que quando foi criada a idéia de um simples sindicato patronal, aqui mesmo, nesta casa da TELEBRASIL, muitos não acreditaram e alguns foram até contra.
FB – E o que aconteceu?
LG – Hoje, temos aí essa realidade muito forte, com uma intensa presença no cenário nacional e que culminará com a nossa Confederação.
FB – A convergência de que tanto se fala seria também a de pessoas?
LG – Depois de um certo tempo, você começa a trabalhar também por idealismo. Aliás, toda a vida a gente deve trabalhar por um ideal. Se você não tiver um, você não chega a lugar nenhum.
FB – O ideal é importante?
LG – Vemos que nossos companheiros estão, muitas vezes, defendendo suas empresas, algo que acho muito justo, pois é a fonte de seu sustento. Mas, não se pode esquecer que há também um projeto maior.
FB – Que projeto maior seria esse?
LG – Ele se chama Brasil. Temos que olhar esse projeto maior, ao tratar de projetos, eu não diria menores, mas sim particulares. Isso é um aprendizado que todos temos que fazer.
FB – E a convergência?
LG – A convergência está aí. Hoje é impossível separar o móvel, o fixo, a televisão, o rádio. É preciso haver um lugar em que essas pessoas possam sentar e discutir seus problemas.
FB – Tem espaço para todo mundo?
LG – Sim. Tem espaço para todo o mundo. Um não vai querer sobrepujar o outro. Precisamos ser inteligentes o suficiente para tiramos o máximo resultado do conjunto.
FB – O Sr. mantém diálogo com o presidente da TELEBRASIL?
LG – Poxa vida! Muito. Ele é nosso amigo de longa data. Temos um diálogo bastante franco, positivo e, eu diria, agradável.
FB – Novamente a convergência?
LG – Sim. Aliás, eu me dou muito bem com todos os participantes da diretoria. Obviamente e até por razões históricas, uns são mais e outros são menos próximos, mas sem que ocorra nenhum tipo de problema com qualquer um.
O jornalista dirigiu-se ao "empresário, homem de visão e cidadão do mundo", Luiz Alberto Garcia, para falar sobre a crise da economia mundial.

FB – Seus comentários sobre a crise mundial?
LG – Antes, é preciso que façamos uma comparação muito forte entre o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o atual presidente do Brasil.
FB – Obama e Lula?
LG – Quando nosso presidente assumiu a presidência da República, há seis anos, eu confesso ter julgado que seria um desastre. Ficamos até com um pé atrás. Graças a Deus, tivemos a grata surpresa de constatar um bom governo. O País acumulou reservas e tem uma posição financeira razoável, num cenário mundial adverso.
FB – Quanto a Obama?
LG – Já em relação a Barack Obama, eleito como presidente dos Estados Unidos, vimos o contrário do que aconteceu aqui. De maneira oposta do que aconteceu no Brasil, a população de lá está esperando que ele vá resolver todo o tipo de problemas.
FB – Que seja um salvador da pátria?
LG – Sim, que ele seja o salvador da pátria.
FB – Qual a nossa torcida?
LG – Vamos esperar que ele consiga debelar a crise, porque, caso não consiga, vai sobrar muita coisa de ruim para todos nós.
FB – O Sr. viaja muito internacionalmente. A imagem do Brasil está melhor?
LG – A imagem do Brasil sempre foi muito boa. O brasileiro lá fora é benquisto. E eu tenho a certeza absoluta que (o entrevistado continua com um sorriso mineiro) a imagem do nosso presidente é muito melhor lá fora do que aqui dentro.
FB – O brasileiro sabe conviver com as crises?
LG – Eu estive na Europa por esses dias, e um amigo nosso estava comentando sobre a força da paz do Brasil no Haiti. Ele me disse: "vocês são tão danados que até conseguiram marcar um gol lá no Haiti" (risos). Então, o brasileiro tem jogo de cintura.
O olhar pragmático do entrevistado, aliado a uma visão estratégica de médio prazo, se revela ao tratar aparentemente de um detalhe.
FB – Suas palavras para o pessoal do Seta, Siitep, Sinder, Sindimest-RJ, Sindisat, SindiTelebrasil e Sintal, sindicatos filiados à FEBRATEL.
LG – Vou lhes mandar um recado, já pensando em 2010.
FB – Para 2010 ou em 2009?
LG – É para 2010 mesmo e sempre olhando para frente. Estou me referindo ao Calendário da FEBRATEL – hoje já uma tradição – que iremos fazer em 2009 para 2010 e que conta como uma ampla distribuição.
FB – E qual a sugestão?
LG – Que esse futuro calendário para 2010 contenha as reuniões e eventos de cada sindicato filiado à FEBRATEL. Vamos ampliar a idéia do Calendário de 2009, feito em 2008, e que registra as reuniões da FEBRATEL; do SindiTelebrasil e seu comitê de normatização; da TELEBRASIL; e de outros eventos relevantes.
FB – Por trás da sugestão está a idéia de integração?
LG – Sim. Mas, sobretudo, para que outras pessoas que lerem o Calendário pensem assim: "puxa, esse pessoal de telecomunicações é verdadeiramente organizado e sabe trabalhar junto".
FB – Algo mais que gostaria de acrescentar?
LG – Nada. Muito obrigado.
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